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Bauru fecha outubro de 2026 com chuva 78% acima da média e o terceiro mês mais frio em 26 anos


Outubro 2026 - Bauru/SP
Sexto outubro mais chuvoso em 46 anos (192,8 mm) e terceiro mais frio em 26 anos (22,0 °C), sem extremos térmicos relevantes
05/11/2026

1. SÍNTESE: OUTUBRO FOI ATÍPICO?

 

Outubro de 2026 em Bauru/SP fechou como o sexto mais chuvoso em 46 anos, com 192,8 mm acumulados — 78% acima da média histórica do mês (108,3 mm) e o maior volume desde 2011. A temperatura média de 22,0 °C ficou 1,4 °C abaixo da média de 2001–2025 (23,4 °C), configurando o terceiro outubro mais frio em 26 anos, atrás apenas de 2004 (21,5 °C) e 2003 (21,8 °C) e empatado com 2010. O mês, porém, não repetiu o padrão de setembro. Enquanto setembro foi um mês de persistência — 21 dias de chuva e uma sequência de 13 dias consecutivos —, outubro foi um mês de concentração: 52% do volume total (101,5 mm) caiu em apenas quatro dias, entre 22 e 25 de outubro, incluindo o maior evento do mês (44,45 mm em 24/10). O restante se distribuiu em chuvas fracas e moderadas, intercaladas por um veranico de cinco dias secos. O comportamento térmico manteve a assinatura de setembro, agora com menor intensidade: médias abaixo do padrão e extremos dentro da normalidade. A mínima extrema (12,4 °C em 19/10) ficou praticamente na média da série 1984–2025 (12,5 °C), e a máxima extrema (35,1 °C em 09/10) ficou abaixo da sua média (36,0 °C). Não houve onda de frio nem de onda de calor — houve supressão persistente do aquecimento, associada à nebulosidade e à umidade recorrentes. O mês se dividiu em seis fases distintas: início instável (01 a 06/10, 31,0 mm), aquecimento e tempo seco (07 a 12/10, 0,5 mm), primeiro evento (13 a 16/10, 51,1 mm), veranico seco (17 a 21/10, sem chuva), segunda onda de chuva (22 a 25/10, 101,5 mm) e recuperação (26 a 31/10, 8,6 mm). Variável Outubro/2026 Média da série Anomalia Posição na série Chuva acumulada 192,8 mm 108,3 mm (1981–2025) +84,5 mm (≈ +1,4σ) 6º mais chuvoso em 46 anos Temperatura média 22,0 °C 23,4 °C (2001–2025) −1,4 °C (≈ −1,1σ) 3º mais frio em 26 anos Mínima extrema 12,4 °C 12,5 °C (1984–2025) −0,1 °C 18º menor em 43 anos Máxima extrema 35,1 °C 36,0 °C (1984–2025) −0,9 °C (≈ −0,5σ) 9º menor em 43 anos


2. CHUVA: CHUVOSO, MAS DE CONCENTRAÇÃO

 

Os 192,8 mm de outubro de 2026 colocam o mês na sexta posição entre os 46 outubros da série iniciada em 1981, com anomalia de +84,5 mm em relação à média (108,3 mm) — cerca de 1,4 desvio-padrão. É um valor expressivo, mas de magnitude distinta do recorde de setembro: outubro de 2026 está 46,2 mm abaixo do outubro mais chuvoso da série (239,0 mm, em 1981) e 18,6 mm abaixo do segundo colocado (236,0 mm, em 1982). O dado mais revelador, contudo, não é o total, e sim a distribuição. Dos 17 dias com chuva registrada, apenas quatro responderam por mais da metade do acumulado: 24/10 (44,45 mm), 25/10 (36,58 mm), 13/10 (29,72 mm) e 14/10 (16,76 mm). Juntos, somam 127,5 mm — 66% do total do mês. Os outros 13 dias chuvosos contribuíram com chuvas fracas, quase todas abaixo de 10 mm. É o oposto do padrão de setembro, quando a chuva se distribuiu de forma persistente ao longo de duas semanas. A série histórica mostra que outubro de 2026 é o mais chuvoso desde 2011 (209,3 mm), superando 2018 (180,8 mm) e encerrando um ciclo de outubros fracos: 2019 (59,7 mm) e 2020 (40,4 mm) ficaram bem abaixo da média, enquanto 2022 (100,1 mm) e 2025 (117,9 mm) ficaram próximos dela. A média da última década (2016–2025) foi de 102,1 mm, ligeiramente abaixo da série completa — não há, portanto, tendência clara de aumento ou redução na chuva de outubro, ao contrário do que se observa nas temperaturas. O maior evento do mês, em 24/10, acumulou 44,45 mm em 24 horas — valor de chuva forte, compatível com a passagem de sistema frontal organizado. No dia seguinte, 25/10, caíram mais 36,58 mm, com a pressão atmosférica atingindo o menor valor do mês (938,3 hPa). Em dois dias, o acumulado chegou a 81,03 mm, equivalente a 42% de todo o volume mensal.


3. TEMPERATURAS: FRIO PELA MÉDIA, SEM EXTREMOS

 

A temperatura média de outubro de 2026 foi de 22,0 °C, 1,4 °C abaixo da média de 2001–2025 (23,4 °C) — anomalia de aproximadamente −1,1 desvio-padrão, que coloca o mês como o terceiro mais frio em 26 anos, atrás apenas de 2004 (21,5 °C) e 2003 (21,8 °C), e empatado com 2010. Esse resultado interrompe uma sequência de outubros quentes: a média de 2016–2025 foi de 24,3 °C, quase 1 °C acima da série completa, com picos de 25,7 °C em 2019 e 2020. O valor de 2026 é o mais baixo desde 2010 e marca o segundo mês consecutivo com média abaixo do padrão, depois de setembro (20,9 °C, −2,2 °C). Dois meses seguidos nessa configuração são incomuns na série recente e sugerem um padrão sazonal, não um episódio isolado. Os extremos, no entanto, permaneceram dentro da normalidade — e é aí que está o dado mais interessante. A mínima extrema do mês foi de 12,4 °C (19/10), praticamente igual à média da série 1984–2025 (12,5 °C), anomalia de apenas −0,1 °C, o 18º menor valor em 43 anos. A máxima extrema foi de 35,1 °C (09/10), abaixo da média da série (36,0 °C), anomalia de −0,9 °C, o 9º menor valor em 43 anos. Em outras palavras: o mês não teve nem onda de frio nem onda de calor. O frio foi persistente, não intenso. A explicação está na estrutura interna do mês. A média das máximas ficou em 26,9 °C e a das mínimas em 16,8 °C — amplitude média de 10,1 °C. O pico de 35,1 °C em 09/10 ocorreu durante o veranico seco, quando o céu limpo permitiu o aquecimento diurno; assim que a chuva voltou, as temperaturas caíram rapidamente. É o mesmo mecanismo observado em setembro, em escala menor. No plano de longo prazo, o contraste com a década é notável: a média das máximas extremas em 2016–2025 foi de 37,3 °C, contra 36,0 °C da série completa, e quatro dos cinco maiores valores da série ocorreram a partir de 2012 (2020: 41,5 °C; 2024: 39,9 °C; 2014: 39,2 °C; 2012: 38,7 °C). No lado oposto, as mínimas extremas da década (13,2 °C) são as mais amenas da série. O padrão — noites menos frias e tardes mais quentes — é compatível com o aquecimento regional, mas a elevada variabilidade interanual recomenda cautela na atribuição.


4. CIRCULAÇÃO E ATRIBUIÇÃO: POR QUE CHOVEU E POR QUE FEZ FRIO

 

A circulação de outubro manteve, em parte, o padrão de setembro, mas com mudanças importantes. O vento predominante de Leste ou Sudeste ocorreu em 16 dos 31 dias (52%) — ainda a direção dominante, mas bem menos frequente que os 80% de setembro. Ao mesmo tempo, cresceram as intrusões de Oeste e Noroeste (4 dias, 13%), típicas de sistemas frontais mais organizados, e apareceram ventos de Sul e Norte associados à passagem de frentes (13/10 e 15/10). Essa combinação explica o caráter do mês. O fluxo de Leste manteve a umidade disponível e sustentou as chuvas fracas do início e do fim do mês; as intrusões de Oeste e Noroeste, por sua vez, organizaram os dois eventos concentrados — o de 13 a 14/10, com virada de vento para Sul e Nordeste, e o de 22 a 25/10, quando o vento passou por Sudeste, Noroeste e Oeste em sequência, com pressão em queda até 938,3 hPa em 25/10, o menor valor do mês. Os indicadores de superfície confirmam a leitura sinótica. A maior rajada do mês (64,5 km/h em 04/10, com vento de Nordeste) marcou a passagem de uma perturbação no início do período instável. As rajadas de 44,5 km/h (14/10) e 40,9 km/h (15/10 e 25/10) coincidiram com os sistemas que trouxeram chuva. A pressão máxima do mês (946,1 hPa em 27/10) registra o anticiclone pós-frontal que encerrou a segunda onda de chuva, e a mínima (938,3 hPa em 25/10) marca o eixo de baixa pressão do evento principal. A umidade relativa mínima de 26,6% em 19/10 registra o ar mais seco do mês, no auge do veranico. No plano de grande escala, outubro transcorreu sob El Niño em intensificação. Os boletins de outubro da NOAA/CPC mantinham a previsão de evento forte a muito forte até o verão de 2026-27, com probabilidade superior a 83% para o trimestre janeiro-março e 75% de chance de que a temporada outubro-dezembro superasse a força de todos os eventos anteriores desde 1950. Na climatologia da primavera, esse padrão favorece chuvas acima da média no Sul do Brasil e condição de calor e seca no Norte e Nordeste — e outubro de 2026 em Bauru se alinhou ao primeiro caso. A leitura, porém, deve permanecer probabilística, como em setembro. O El Niño aumenta a propensão a outubros chuvosos na região, mas a concretização depende da configuração de circulação regional. O contraste entre 2015 e 2026 é ilustrativo: ambos foram outubros chuvosos em anos de El Niño forte (123,4 mm e 192,8 mm), mas com assinaturas térmicas opostas — 2015 teve média de 25,3 °C, bem acima do padrão, enquanto 2026 teve 22,0 °C, bem abaixo. O ENSO modula o regime de chuva; a resposta térmica local é governada pela trajetória dos sistemas. Por fim, a mesma ressalva metodológica de setembro: as análises baseiam-se em dados de ponto único. A extensão espacial do padrão — se restrito a Bauru ou generalizado pelo interior paulista — demandaria cruzamento com estações vizinhas e dados de reanálise, recomendado como etapa complementar.


5. METODOLOGIA

 

Os dados provêm de estação meteorológica de superfície em Bauru/SP, com registros diários de precipitação, temperaturas máxima, mínima e média, umidade relativa mínima, vento máximo e predominante e pressão média. As comparações empregaram as séries de outubro disponíveis: precipitação de 1981 a 2026 (46 anos), temperaturas extremas de 1984 a 2026 (43 anos) e temperatura média de 2001 a 2026 (26 anos). As anomalias em desvios-padrão foram calculadas sobre a série completa de cada variável, e as referências de média empregam o período imediatamente anterior a 2026. O contexto de grande escala baseia-se nos boletins de acompanhamento do ENSO de NOAA/CPC, IRI, WMO, INMET e GFDL (março a outubro de 2026).


6. PERSPECTIVAS PARA NOVEMBRO

 

O contexto de grande escala sugere continuidade de um padrão favorável à chuva. O El Niño segue em intensificação, com previsão de evento forte a muito forte até o verão de 2026-27. Em novembro — mês que historicamente concentra os maiores acumulados da primavera em Bauru —, a combinação entre o regime úmido sazonal e um El Niño muito forte mantém a propensão a um mês chuvoso. A leitura deve permanecer probabilística: a concretização dependerá da configuração de circulação regional, em particular da frequência das intrusões de Oeste e Noroeste, que em outubro organizaram os eventos concentrados. Como pontos de monitoramento para a próxima edição, destacam-se a ocorrência de episódios de chuva intensa em 24 horas (o maior valor de outubro foi 44,45 mm) e o comportamento das temperaturas máximas, que devem subir com o avanço da estação.