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Onda de Calor
15/10/2020

Durante os últimos dias de setembro e o começo de outubro de 2020 aconteceu uma forte onda de calor que causou tempo quente e seco em grande parte do estado de São Paulo. Esta situação levou a baixos índices de umidade relativa do ar e um grande período sem a ocorrência de chuva em diversos municípios do estado. No dia 8 uma frente fria começou a quebrar este padrão trazendo nebulosidade, chuvas e queda da temperatura pelos ventos frios. Geralmente o começo da primavera é marcado por pouca nebulosidade, grande incidência de radiação solar, seca e aumento da temperatura.

A crista presente nos médios níveis (500 hPa) contribuiu com suporte dinâmico atmosférico para intensificação de um anticiclone (giro anti-horário do vento) anômalo nos baixos níveis (900 hPa), próximo a superfície terrestre. Essa configuração está relacionada ao movimento de cima para baixo do ar, transportando ar seco e elevando as temperaturas pela maior incidência de radiação solar. Além disso, os fortes movimentos do ar dificultaram a formação de nuvens e inibiram o avanço de sistemas frontais causadores de chuvas em grande parte do estado de São Paulo, principalmente no interior paulista, onde as temperaturas chegaram a bater recordes históricos, com valores superiores a 40 °C. Em Bauru, o maior valor registrado pela estação automática do IPMet foi de 41,5 °C no dia 7 de outubro de 2020.

No entanto, apesar de um início de mês quente e seco, a estação chuvosa deverá se estabelecer a partir da segunda quinzena do mês, mas sem ultrapassar os volumes esperados pela média climatológica. Com isso, chuvas mais constantes e volumosas são esperadas, bem como temperaturas mais baixas em relação às temperaturas registradas no início de outubro, de acordo com os resultados de diferentes modelos de previsão climática.

No âmbito científico, estudos indicam maior frequência na ocorrência de eventos extremos ao longo dos anos e muitos deles mostram uma associação às mudanças climáticas globais, mas é importante ressaltar que às alterações climáticas a nível global requerem estudos específicos, considerando séries históricas, análises estatísticas e outros diversos estudos sobre o sistema climático terrestre, e não somente a ocorrência de um padrão atmosférico anormal.

 

Texto eleborado pelos estagiários do Curso de Meteorologia:

  • Gabriela Mathizen
  • Jonathan Wendell
  • Leonardo Soares

Com surpervisão da meteorologista: Zildene Pedrosa